Matéria publicada no dia 13/11/2008 pelo jornal Diario do Nordeste.
Veja alguns trechos da entrevista com o Legendário Marcelo Bonfá realizada pelo jornal Diario do Nordeste. (hits brasil)
Marcelo Bonfá amadureceu. Agora, ele desenvolve um trabalho bem diferente dos tempos da Legião Urbana, e, em entrevista ao Zoeira, solta o verbo e fala sobre Renato Russo, música, vida pessoal e drogas. Em Fortaleza, o músico comanda, hoje à noite, a festa de três anos do Hits Brasil, ao lado da banda Coda.
Como será o show de logo mais no Hits Brasil ?
Vou me alternar entre a voz e a bateria/voz, apresentando algumas músicas nossas do Legião Urbana, como ´Tempo perdido´, ´Ainda é cedo´, ´Soldado´, ´Quando o sol bater na janela do seu quarto´ e outras de meus álbuns solo.
Antes, você esteve em Fortaleza apenas em 2006. Como foi a experiência?
Ah, naquela época fiz uma apresentação na festa “20 e poucos anos”, para um público de umas 10 mil pessoas. Significou muito, pois foi quando descobri que eu tinha um certo traquejo para deixar a bateria e assumir os vocais.
No show de hoje você irá se apresentar juntamente com a banda Coda. Como foi que conheceu este grupo cearense?
Os produtores desta mesma festa (20 e poucos anos) me enviaram uma material da Coda (vídeo do You Tube) e eu topei fazer um tipo de parceria onde, primeiro, eu enviaria meu repertório para eles ensaiarem. Depois, nos encontramos durante uma hora em um estúdio em Teresina, momentos antes de uma apresentação que foi um sucesso, para mais de 5 mil pessoas naquela cidade.
O que você mais sente falta da época do Legião Urbana?
Faz muito tempo que não tocamos juntos. Nos encontrávamos eventualmente para compor e fazíamos pouquíssimos shows. Principalmente já no final dos anos 90, quando quase não nos apresentávamos mais. Por isso, não sinto muita falta.
É de conhecimento público que você tem um tem-peramento forte e o Renato Russo também tinha. Como era a convivência de vocês?
Nossas brigas eram sempre em razão de alguma questão artística. Todos da banda sabiam que o Legião estava acima das questões pessoais. Cada um tinha seu departamento, mas um sem o outro não funcionava! O que acontecia, porém, é que eu tinha fome de dizer as coisas abertamente. O Dado, filho de diplomata, era conciliador. O Renato, sabendo como eu era, muitas vezes dizia que eu não gostava de fazer shows. Isso não era verdade! Ele é que tinha grande alternância de humor e de saúde, principalmente quando já estava bem debilitado com o vírus HIV. Por isso, não queria se expor. Aí, dizia: ´o Bonfá não quer se apresentar´. Quando vinham me indagar, eu concordava, porque sabia que era o melhor para a banda.
Você teve relação com drogas. Como era nessa época?
Nunca fui viciado em nada. A minha personalidade é contemplativa. Sempre gostei de meditar e algumas drogas ampliavam isso. Mas sempre tive um controle sobre mim mesmo. Eu também sou contra a radicalidade. Tenho amigos que ainda usam drogas. Elas fazem parte do meio artístico. Tem um ditado que diz que as drogas te dão os céus, mas cortam tuas asas. Eu concordo com isso.

Você mantém contato com Dado Villa-Lobos?
Somos amigos e nos vemos com certa freqüência, até porque os projetos envolvendo o Legião se intensificaram. Assinamos contrato com a EMI para a distribuição digital de nosso repertório. Além disso, estamos negociando para ver se a Nokia lançará um pacote de celular com canções do Legião Urbana. É algo que os fãs vão aprovar.
Mais informações:
Show de Marcelo Bonfá, às 21h, na festa de três anos do Hits Brasil. Participação da banda Coda e O Verbo. Hits Brasil (Av. Jovita Feitosa, 170). (3243.8331).
Ticiana de Castro
Repórter
Reportagem completa http://diariodonordeste.globo.com/materia.asp?codigo=589085
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